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Graffiti do Absurdo

  • 14 de ago. de 2017
  • 4 min de leitura

Juiz de Fora sedia encontro de grafiteiro

Existem várias formas de manifestação da arte. As mais conhecidas são o teatro, a dança e a música. Mas se engana quem não sabe que o graffiti também é uma forma de expressão artística. A fim de propagar esse estilo em Juiz de Fora e região, a CasAbsurda promoveu pela terceira vez o evento Graffiti do Absurdo, no último sábado, 12. O encontro acontece anualmente e teve início há três anos. Daniel Verde, morador da república chamada CasAbsurda, onde moram cinco jovens,

explica que a ideia surgiu ao apagar artes antigas pintadas nas paredes da casa, substituindo por novas obras de artista da região. “Agora todo evento é assim, o primeiro, a gente conseguiu agregar dez artistas, no segundo, que foi ano passado, a gente conseguiu fazer com vinte, e esse ano a lista já passou de quarenta, se eu não me engano”.

O evento do dia 12 contou com várias atividades, como raps de MC Marte, Thainá Gomes, Everton Beatmaker e RT Mallone. Ilustrações ao vivo com Boscone e Nicolle Bello, oficina de Stencil com Kel Almeida e um show com a Tatá Chama & as Inflamáveis. Porém, o que mais chamou atenção foram os graffitis espalhados pela casa. Quem chegava de fora não perdia tempo e escolhia seu canto na parede pra trabalhar.

Foto: Marina Urbieta

Foco do evento

Daniel afirma que o objetivo principal é “promover e divulgar a arte independente, tanto de Juiz de Fora, quanto da região. Do jeito que a gente puder e conseguir”. Ele, que também trabalha como barman, acrescenta que as vezes acontecem alguns problemas de compatibilidade de horários para organizar todo mundo, seja os moradores, os artistas de Juiz de Fora ou os que vêm de outra cidade: “porque nem todo mundo tem disponibilidade igual, cada um tem seu horário de trabalho, cada um tem uma vida, e a gente agregou 15 ou 19 artistas de fora. Isso pra gente foi muito bom”.

Diego Dais

Diego Dais é natural da cidade de Santa Rita do Sapucaí, Sul de Minas, e participou do “Graffiti Absurdo” pela terceira vez. Ele também faz parte de grupos de MC’s, com o projeto Consonância. O grafiteiro Dais, como é conhecido no meio artístico, conta que o primeiro contato com a galera da CasAbsurda foi a partir dos encontros de MC’s em 2012, realizado sempre no antigo DCE. “O almoço era sempre na Casa aqui. Nisso, a gente foi conhecendo o pessoal que foi entrando e eles conhecendo o nosso trabalho. Eles se identificaram e a gente foi se aproximando. Começamos a trazer trabalhos pra vender, e participar zdo Graffiti Absurdo”. Entre risos, ele concorda que foi uma das influências para que o primeiro evento surgisse e tomasse força até hoje. Foto: Marina Urbieta

Lucas Porto atua como grafiteiro há quatro anos, mas também é B boy (nome dado à dança de rua que faz parte da cultura do Hip Hop) há 15 anos. Conhecido como Mong, ele relata que o grafite “proporciona um encontro com vários amigos,a gente faz amigos em todo lugar do mundo, gente de outras cidades e até mesmo de Juiz de Fora. O principal é o reencontro dessas amizades”.

Graffiti Feminino

O grafite entre as mulheres tem ganhado força no cenário brasileiro . O universo feminino tem demonstrado, através dessa arte, vários pontos sobre empoderamento, como luta, violência e machismo. Com uma maioria de grafiteiros do sexo masculino, apenas seis mulheres se renderam ao spray durante o evento “Graffiti do Absurdo”.

Fernanda Toledo, ex-moradora da casa, foi uma delas. Conhecida com o nome artístico Lumen, Fernanda é grafiteira há onze anos e começou com algumas pichações, ao mesmo tempo participando de um curso de graffiti na cidade. Segundo a artista, às vezes o grafite pode ter mais “contras” do que “prós” pelo fato do material ser caro e principalmente pelo fato ser mulher: “estar na rua de madrugada, pintando, já rolou várias situações da pessoa querer bater em mim por ver que é mulher, sabe?! Mas a vontade de fazer é tão grande, é tão forte, que a gente esquece tudo isso que continua fazendo.”

Especificamente em Juiz de Fora, Lumen esclarece que o grafite demorou a chegar: “cerca de uns vinte anos pra cá”. Também pontua dificuldades que surgiam antes do graffite se tornar rentável e, assim, ser mais aceito pela sociedade. “No início era muito difícil, principalmente pra quem começou na década de 90. E quando eu comecei, mesmo sendo grafite arte, toda vez chamavam a polícia, tinha um problema, você tinha que aprender a conversar.”

A Casa

A república CasAbsurda conta atualmente com cinco moradores que têm profissões variadas. Em comum, o olhar voltado para o grafite como forma de arte. Por isso, conseguiram juntar forças e colocar em prática eventos como o “Graffiti do Absurdo”, debaixo do próprio teto.

O espaço é

dedicado quase que totalmente para a expressão livre de desenho e pichações. Porém, não acontecem apenas eventos anuais. São realizados a cada dois meses: uma Exposição Coletiva dos Artistas, a ECCA; toda quarta-feira tem um mesão de desenhos, aberto ao público que queira ver esses trabalhos; e às vezes rolam

saraus de poesias.

Foto: Marina Urbieta

Cadu, um dos grafiteiros, afirma que, basicamente, são apresentações de arte “é o que você tem pra mostrar pra quem frequenta a casa”, afirma. Ele, também conhecido como GloobMundi, é morador da local e explica que “toda cidade deveria ter um lugar como esse, porque têm vários artistas que estão guardados, tem caixa de mercado, tem segurança, tem o cara que trabalha na construção, todos talentosíssimos e simplesmente não se reconhece como artista.”

Gabriela de Morais é moradora da casa desde o último “Graffiti do Absurdo”. Gosta do lugar e dos colegas. “São como irmãos, a gente briga, mas no final tudo dá certo e conseguimos realizar esses eventos”. Apesar de estar no meio de muitos grafites, ela optou pela pintura. Durante a faculdade de arquitetura, sentia que não podia se aprofundar tanto na arte porque os estudos não permitiam. Segundo ela, a Casa é muito inspiradora “Dá para tirar vários projetos da caixinha”.

 
 
 

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